comboio
este poema tem
172 lugares sentados
e 48 lugares em pé
mas está vazio de gente
e de sentido
escolhe à vontade
de que ângulo me queres ver
este poema tem
172 lugares sentados
e 48 lugares em pé
mas está vazio de gente
e de sentido
escolhe à vontade
de que ângulo me queres ver
Em primeiro lugar os agradecimentos:
Abstracto Concreto II, blog d’apontamentos, insónia, o sonso, um lugar na sombra. Um agradecimento também a todos quanto têm por aqui passado. E um agradecimento especial aos que me possam ter escapado.
Em segundo lugar, já está no online o número 1 da Minguante, revista de micro-narrativas. Este número é subordinado ao tema «Banal».
Finalmente, tenho andado por aqui ocupado a tentar aprender AJAX, PHP e MySQL. O primeiro resultado é a página que está ali na navegação com o título Nobel Books. A página permite fazer pesquisas de livros dos (ou sobre os) premiados pela Fundação Nobel. A pesquisa é feita com base nos nomes dos premiados e usa o motor de busca do Amazon. A novidade é que como está feita em AJAX a pesquisa e os respectivos resultados podem ser alterada sem necessidade de fazer refresh à página. Experimentem e digam de vossa justiça. Críticas e sugestões são muito benvindas.
O Homem por trás dos Prémios Nobel
Alfred Nobel nasceu em Estocolmo a 21 de Outubro de 1883. Filho de Immanuel Nobel, um engenheiro e inventor que construía pontes e edifícios em Estocolmo, e de Andriette Ahlsell. No mesmo ano do seu nascimento, o pai Immanuel Nobel abriu falência da empresa que dirigia para 4 anos mais tarde se ver forçado a deixar Estocolmo e a sua família para tentar a sua sorte primeira pela Finlândia, depois pela Rússia. Em S. Petersburgo, conseguiu convencer a marinha russa que estes poderiam usar minas marítimas para impedir que os navios inimigos se aproximassem e ameaçassem a cidade. Com o sucesso da venda destas minas e de outros equipamentos militares, Immanuel Nobel, conseguiu trazer a sua família para junto dele em 1842 e dar aos seus filhos uma educação de primeira classe, com professores privados, em áreas como as ciências naturais, línguas e literatura.
Aos 17 anos de idade Alfred Nobel já falava fluentemente Sueco, Russo, Francês, Inglês e Alemão. Os seus interesses principais eram a física, a química e a literatura e poesia anglo-saxónica. Este interesse por poesia e literatura de Alfred Nobel, desagradava ao seu pai, que para além disso o achava demasiado introvertido e, com o objectivo de alargar os horizontes ao filho, mandou-o para o estrangeiro para prosseguir e aprofundar os seus estudos na área da engenharia química. Durante dois anos Alfred viajou pelos Estados Unidos, Suécia, Alemanha e França. Durante a sua estadia em Paris, trabalhou no laboratório do conhecido químico T. J. Pelouze onde conheceu um jovem químico Italiano, de seu nome Ascanio Sobrero, que, 3 anos antes, havia inventado a nitroglicerina, um poderoso explosivo líquido, produzido com base numa mistura de glicerina e ácidos sulfúrico e nítrico. Apesar do seu poder de explosão ser muito superior ao da pólvora, a nitroglicerina foi considerada demasiado instável, pois explodia de forma muito imprevisível quando sujeita a determinadas condições de temperatura e pressão.
Alfred Nobel, viu de imediato o enorme potencial que aquele explosivo poderia ter na construção civíl se conseguisse controlar os problemas de segurança que o envolviam, mas antes de a poder usar em segurança era necessário criar um método que controlasse a detonação e explosão a nitroglicerina.
à porta da fábrica de sonhos
fungos
gritam à espreita
de um lugar para respirar
em frente toupeiras
de sombra
de sombra colada na parede
fumam restos de tempo
abutres para cima
e para baixo
bem arranjados finamente
penteados para cima
e para baixo
comem almas de ratos penados
escondido
pela máquina dos selos
está um poeta
a dizer de cabeça
poemas obscenos
aos corpos das mulheres que passam
Local: Los Alamos
Projecto: Manhattan
Objectivo: Bomba Atómica
Resultados: Hiroshima e Nagasaki
Já para não falar no caso de Joseph Rotblat, que depois de abandonar Los Alamos chegou a ganhar um prémio Nobel da Paz (1995), “a meias” com a Pugwash, “for their efforts to diminish the part played by nuclear arms in international politics and, in the longer run, to eliminate such arms”, gostaria de lembrar aqui alguns dos participantes:
James Franck, Prémio Nobel da Física, 1925
Enrico Fermi, Prémio Nobel da Física, 1938
Ernest Lawrence, Prémio Nobel da Física, 1939.
Emílio Segré, Prémio Nobel da Física, 1959
Eugene Paul Wigner, Prémo Nobel da Física, 1963
Val Fitch, Prémio Nobel da Física, 1980
Frederik Reines, Prémio Nobel da Física, 1995
etc etc etc (acho que são pelo menos uns 20).
a solidão é assim:
dezenas de pedras da calçada
polidas pelo peso dos pés
todas tão perto umas das outras
sem nunca se tocarem
há coisas que começam pelo fim e depois não acabam
por isso agora eu posso escrever-te este poema
e este poema podes ser simplesmente tu
ou as tuas mãos enquanto me apertam
os botões da camisa ou quando me beijam
os olhos cheios do teu corpo durante o banho:
no princípio tudo parecia estar a terminar
e um dia decidiste incendiar tudo à tua volta
mas quando os teus braços fatiaram o céu
eu era um bicho de espuma numa jaula de vidro
e tu um reflexo de medo dentro da minha boca
que forçava o silêncio de tudo menos dos olhos
depois criaste os riffs de ti em guitarras de voz
e eu nunca mais deixei de te ouvir tocar-me nos lábios
dedilhaste-me freneticamente o corpo nocturno
e desde então que amanheces sonora
debaixo da minha língua na ponta dos meus dedos
dentro do meu peito de água
como se unhas de sombras viúvas rasgassem o sol
ao terceiro dia desligaste os dias
apareceste-me nua de luz
escondeste o crepúsculo das flores
fizeste a insónia as tempestades e as palavras
disseste-me procura-me e ficaste
a timidez das palavras: depois do terceiro veio o quinto
o quarto dia foi só a transparência dos corpos
depois de vencermos o vento as trevas e os nomes
foi apenas a cegueira dos vulcões
por todo lado em todos os lados a fúria da magia
tu já existias inventaste-me apenas a mim
depois o deserto e a mais pesada das tarefas
os pés enterrados a imobilidade
o suor do silêncio a queimar-nos a pele
os ossos queimados
as palavras a derreterem em folhas perdidas
a lentidão da morte
mas ao sexto dia foi a distância que morreu novamente
e perto um do outro não sabemos senão estar juntos
durante todo o dia semeámos orquídeas nas mãos
contruímos devagar o lado de dentro das fontes
dividimos o mundo e conquistámos a eternidade
de noite adormeceste a segredar-me o que seria o sétimo:
há coisas que começam pelo fim e depois não acabam
por isso amanhã podes escrever-me este poema
e este poema posso ser simplesmente eu
ou as minhas mãos enquanto te apertam
os botões da camisa ou quando te beijam
os olhos cheios do meu corpo durante o banho
às vezes os livros são o contrário da tua ausência
outras vezes são a tua ausência ao contrário
mas o que mais alimenta os animais de sombra
é quando a tua ausência vira os livros ao contrário
Para minimizar este problema, uma opção um pouco mais segura é usar o MBNet. Pode-se aderir ao serviço na banca online ou no multibanco. A ideia é obter um novo número de cartão de crédito sempre que se quer fazer um pagamento. Quando obtemos um novo número para efectuar o pagamento de uma compra, podemos definir o máximo diário a utilizar (normalmente o valor da compra mais alguns euros por causa de possíveis taxas). Depois de efectuada a compra o número do cartão deixa de ser válido, pelo que, mesmo que seja apanhado numa vigarice qualquer, não pode ser utilizado por mais ninguém.
vem comigo, vou mostrar-te o lugar
onde a pornografia das palavras repousa
e o vapor dos vinilos antigos nos queima
por fora, cá dentro. em bancos de veludo.
a inércia sou eu quase morta
nesse teu verso partido.
não me quero no teu poema
nem fora dele, leva-me antes
ao mesmo lugar onde estou.
26 de Março de 2001. 1969 dias. Demasiado tempo. Estou a poucos dias de terminar a minha participação no projecto que ocupou os últimos 5 anos e 5 meses da minha vida profissional. Se tudo acontecer de acordo com o prometido, faltam exactamente 15 dias. 11 de trabalho, 4 de folga.
Apesar da mudança de projecto ser profissionalmente benéfica, confesso que já sinto saudades e que é com alguma tristeza que saio. Estou contente com a mudança, mas saio triste. Quando se dedica tanto tempo a um projecto desta dimensão, sonha-se, no mínimo, em sair com um sentimento de missão cumprida. Falhei. Não considero a minha missão cumprida, mas vou sair. Já me disseram que basta sair de consciência tranquila, mas, para mim, isso não chega. Falhei.
onde foi que me perdi? passei três dias preso acusado de plagiar o silêncio e dizem-me que para a próxima serei enforcado. que me matem então. eu vivo no submundo dos espelhos e a minha voz nunca foi igual à vossa.
after sun - loção hidratante
after sun-loção com aloe vera
refresca e suaviza
cada palavra que te escrevo:
esfrego devagar o tempo na pele
para sentir o teu beijo
como tu o sentias: vermelho solar.
escorre-me sol pela testa - está
ali um velho a resolver equações
em folhas brancas A6,
um passo rápido por folha,
tantas folhas rapidamente,
deve estar no fim -
os condicionados devem estar
desligados (o
engenheiro, o ar, o comboio).
«(…) Mas o que tudo isto tem de mais preocupante é que as sociedades modernas - que legislam de forma tenaz e radical contra o tabaco e incomodam pacíficos fumadores - convivem tranquilamente com a extrema miséria, com as mais abjectas e sanguinárias ditaduras, com a mutilação dos órgãos genitais de mulheres, com chacinas em massa de populações, com doenças endémicas como a malária a que não destinam recursos e que dizimam populações inteiras, com penas degradantes e desumanas como as que ainda se aplicam em certos países muçulmanos, como a pena de morte. (…)»
José Miguel Júdice, Público.
Lido aqui. Via A Origem das Espécies.
Há uns anos aconteceu-me algo semelhante. Quando o novo Estádio da Luz estava ainda em fase de acabamentos, também aluguei um carro, através da Internet, numa outra companhia de aluguer, com a indicação que era para levantar o carro no Estádio da Luz. Não me lembro qual era, mas não foi com a Europcar. Acontece que, por causa das obras, a garagem dessa empresa no estádio da luz não estava em funcionamento, há meses, há largos meses que não estava em funcionamento. No site da empresa, e no momento do aluguer, para além de deixar escolher a filial do Estádio como lugar de pick-up, que já por si é ridículo dado que era uma situação com meses, ainda me confirmaram o número da reserva do veículo por email (suponho que com algum processo automático). Eu, que morava ali perto, à hora combinada, saí de casa e fui a pé para o Estádio. Eram duas ou três da tarde, não me lembro se de um dia de Julho se de Agosto, mas estava calor, estava mesmo muito calor. Dei duas voltas ao estádio à procura de uma garagem que não existia. Finalmente, decidi telefonar para alguém, para esse alguém ir à Internet, ao site dessa empresa, para me dar um número de telefone para onde eu pudesse ligar. Quando liguei, informaram-me (como se o burro fosse eu) que aquela filial estava fechada há meses, «desde que começaram as obras», (seu camelo, digo eu). Mas não ficaram por aí. Sugestão: ou ia ao aeroporto e pagava a taxa de aeroporto, ou ia algures ao centro da cidade alugar um carro mais caro, «porque desses, lá não há» (seu camelo e pobre, digo eu)! Optei por ir ao aeroporto, sempre me saía mais barato a taxa e o taxi que o aluguer de um carro de gama superior. Quando lá cheguei, reclamei até rebentar e os simpáticos funcionários tiveram “a amabilidade” de me isentar da taxa de aeroporto. E de me dar para as mãos um Opel Corsa com 50.000km cuja manete da mudanças (manete?? mudanças??) tinha uma folga semelhante ao túnel do marquês. Enfim, como aqui é dito, Lisboa, século xxi.
para mim os teus lábios
serão sempre um relâmpago
de flores brancas e vermelhas
a crescer-me pelo outono do corpo
haverá sempre esse cheiro
ao crepúsculo das árvores na tua pele
e esse cheiro a céu será sempre
como se céu fosse este sangue
de madrugada nas minhas veias
escrevo-te lentamente
ser feliz é às vezes ouvir
a tua pergunta na tua voz
amas-me?
sabes como é o terror que tens aos cães da rua de baixo? de como por vezes lhes entregas o lanche para que não te sigam até à entrada da escola? aqui onde está o pai, as crianças comem os cães. e eu tenho que te dizer isto, para tu saberes como é, tenho que te dizer o medo destas crianças. elas comem os cães porque o terror que têm de morrer é muito maior que o terror que tu tens aos cães da rua de baixo. as bombas que caiem são muito maiores que o medo que tu tens dos cães. aqui as crianças perderam o medo aos cães, elas têm medo é de nós, dos adultos, e das bombas, que são muito maiores que o teu terror e muito maiores que o meu medo de te perder a tentar salvar algumas destas crianças. para que um dia percebas, tenho que te dizer o terror destas pessoas e porque é que aqui estou. sei que um dia vais perceber. se o pai não te dissesse, aí onde estás, nunca entenderias como é diferente ter medo aqui onde estou. um dia vais perceber porque foi que te deixei sozinho com a tua mãe. ela não queria que te contasse, pelo menos para já, não queria. disse-me que não vais entender, mas eu sei que vais. o pai podia estar agora a explicar-te que os cães da rua de baixo só sabem ladrar e que morder não é com eles, a dizer-te para não teres medo, mas há coisas que parecem tão pequenas quando aqui estamos. talvez a tua mãe tenha razão e, pelo menos para já, tu não consigas entender, mas o pai sabe que um dia vais perceber porque é que agora estás sozinho com a tua mãe.
mais um grande golo, desta vez do Moretto. Estes grandes golos do Moretto começam a ser um hábito. O homem ainda vem a ser grande.

Alice Russell - My Favourite Letters
Ela canta, mas canta. Infelizmente ainda não conhecia o seu trabalho nesta altura. Espero que volte em breve.
Da voz das coisas
fiama hasse pais brandão
Só a rajada de vento
dá o som lírico
às pás do moinho.
Somente as coisas tocadas
pelo amor das outras
têm voz.